Desmontando trustes

A desorganização na economia em expansão causava transtornos para muitos, como já vimos. As relações de trabalho, a falta de critério e ética de empresários que não tinham qualquer tipo de regulação ou mesmo legislação. As únicas vozes que existiam eram de filósofos e pensadores que denunciavam as mazelas do capitalismo selvagem. Governos, na maioria das vezes, eram submissos aos lobbies de grupos empresariais que se formavam no ambiente de expansão e mercado pujante. Inovações tecnológicas e modernização, exploração do transporte e da energia, infraestrutura, era muita coisa, e alguns ganhando muito dinheiro.

-Vô, mas isso pode ser comparado ao que aconteceu com a turma da informática? Bill Gates, Jeff Bezos, Steve Jobs e outros?

- Pedrinho, analogamente sim, mas em outro contexto. Talvez a riqueza gerada nos idos de 1980 até 2000 e mais para frente no século XX e XXI tenha sido maior, o que Allan Greenspan chamou de “Exuberância Irracional”. Vamos falar neles adiante, mas já que falamos em Allan Greenspan, o FED, Federal Reserve, o Banco Central americano surgiu nesta época onde o governo americano teve que intervir para proteger o mercado e colocar rédeas na ganância.



Os Primeiros Banqueiros

— Vovô… — perguntou Pedro, segurando uma moeda antiga que encontrara na gaveta — como foi que o dinheiro saiu dessas moedas e virou… isso tudo que a gente usa hoje?

O avô sorriu, ajustou os óculos e respondeu:

— Essa é uma das histórias mais fascinantes da economia, Pedro. E começa com um problema simples: transportar dinheiro era perigoso, pesado… e ineficiente.

— Tipo carregar ouro por aí?

— Exatamente. Imagine um comerciante atravessando a Europa medieval com sacos de ouro. Ele não só corria risco de ser roubado, como também perdia tempo e eficiência. Foi aí que surgiram os primeiros “banqueiros”. Aqui em Minas Gerais tem histórias famosas dos bandoleiros que roubavam o ouro saído de Minas para o Rio de Janeiro na época dos portugueses.

— Quem eram eles?

— Em grande parte, comerciantes — muitos deles judeus — que, por razões históricas, acabaram ocupando esse espaço. Durante a Idade Média, restrições religiosas impediam cristãos de cobrar juros em muitos lugares. Já os judeus, frequentemente excluídos de outras atividades, encontraram no crédito uma oportunidade.

Pedro franziu a testa:

— Então eles emprestavam dinheiro?

— Sim. E mais do que isso: financiavam reis, governos… principalmente guerras. E aí estava o problema.

— De não receber?

— Exato. Reis nem sempre eram bons pagadores. Muitos desses primeiros banqueiros enriqueceram, mas também quebraram — às vezes porque o devedor simplesmente decidia não pagar.

Pedro riu:

— Meio arriscado esse negócio…

— Muito. Mas foi essencial. Com o tempo, esses comerciantes começaram a fazer algo revolucionário: em vez de transportar ouro, passaram a usar papéis.

— Papéis?

— As chamadas letras de câmbio. Um comerciante em uma cidade emitia um documento prometendo pagamento em outra. Isso permitia que o dinheiro “viajasse” sem sair do lugar.

Continua..........

A história das pandemias

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